terça-feira, 16 de julho de 2024

 

ESTRUTURA ARQUETÍPICA

Teoria Geral

A Formação das redes de interação e Desenvolvimento Humano, segundo a Natureza e sua representação no conjunto dos Arquétipos

CONTEXTUALIZAÇÃO

2024

            Contexto refere a presença de uma condição relacional que um conjunto de fatores manifesta. No contexto se exprime a forma total, sempre circunstancial, que configura a interação, que então, dada uma constante identificada, encerra um sentido complexo, e, por isso, sempre mais abrangente que o sentido restrito, igualmente presente, singular, isolado nas partes.

Se é assim, então, também, o nexo do contexto é abrangente, pois a conexão entre os elementos constitutivos do contexto é ampla. Assim, mais determinante é a causa de sua coesão, coerência, e abrangência, mas, também maior é a dificuldade de sua compreensão: por sua complexidade, por suas relações nem sempre parecerem lógicas, e, por fim, porque o sentido subjacente dos processos poder ocorrer num modo muito distante da noção de causalidade, e surgir inesperadamente, da probabilidade associativa do potencial presente na multiplicidade dos fatores ativos em interação.

Relações entre pessoas, suas histórias de vida exibem exatamente essa condição.

Sendo sempre circunstancial, o nexo total de uma relação pode tornar-se incognoscível, parecendo que seu sentido depende apenas do limiar dos efeitos que observamos imediatamente. Assim, dizemos que X gosta de Y por alguma razão, e isto levou a que se unissem, e dessa união nasceu Z e W. Qual é o sentido subjacente que causa esse contexto desde seu início até o momento final?

Assim, a manifestação visível da causa original, ativa nas potencialidades, que em X era a atração pela beleza de Y, pode não corresponder ao final do contexto da mesma forma que surgiu primeiramente no instante percebido por X.

A aparência de Y no limiar da interação, na superfície da interação, depende de como uma potência X se efetiva durante a interação com Y, a despeito de Z e W serem probabilidades dadas na associação entre as partes em transformação, X e Y.

Analogamente, assim como a forma e natureza de uma árvore estão supostamente presentes na potência de uma semente (X), a causa plena que efetiva a árvore é uma circunstância relacional ( ...A + B + C ... N + O... + X + Y + Z...) que está no contexto em curso, que inscreve o desenvolvimento de X no porvir de um sistema complexo.

Os fatores potenciais que cooperam para isso (a herança Humana: transgeracionalidade) incluem toda a paisagem, estão ativos na fauna, flora, estações e, por fim, no ecossistema, na Humanidade em devir. Segundo essa noção, a justificativa original, a causa ativa na grandeza contextual referirá logicamente à necessidade do ecossistema. Se considerarmos que essa não é uma necessidade do sistema, correspondendo a primeira causa desta totalidade, o que é inato e inerente, um substrato presente em níveis distintos, na semente, árvore e paisagem. Para negar a noção de necessidade como causa da existência, temos que aceitar que o surgimento e comportamento das coisas, das partes, durante sua manifestação num sistema, pode simplesmente não ter uma causa de origem, existir do nada, e por isso, ser absolutamente independente e existente por si mesmo, sem conexão, sentido ou lógica na totalidade do contexto onde surgiram.

O nexo da totalidade, se existe, portanto, mesmo tendendo ao incognoscível, revela que há a necessidade da ação subjacente, que pode ser puro movimento. Podemos dizer que pessoa X surge num determinado momento, formado pelas interações sucessivas, numa rede complexa de necessidades de A, B, C... e assim por diante, até culminar no recorte descrito do exemplo: X + Y > Z e W. E assim sucessivamente num processo que se mantém relativo às qualidades e tendências de X e Y, transferidas em algum grau e nível para Z e W, que perpetuam vínculos causais originados num remoto passado , desde A e B.

Essa ação é causal, se aceita como necessária e sendo um movimento inerentemente presente na forma inata ou potencial em múltiplos fatores existenciais, só revela um sentido dependente de circunstâncias no momento inaugural, na interação entre A e B, donde supostamente surgem C..., dos quais se manifestam, por fim, todos os demais fatores como os efeitos, criando as aparências e um sentido contingente no recorte de um contexto cuja origem prevalece como mistério, pois não sabemos como afirmar sobre A e B em sua plenitude, apenas sobre níveis de sua existência, principalmente acerca de sua origem material. A teoria evolucionista discorre sobre isto, e diversas cosmogonias e mitos da criação narram a respeito.

A primeira causa de um contexto, nessa perspectiva que discutimos acima, de necessidade e causalidade, sustenta justificativas em relação a etapas diferentes do desenvolvimento de X e Y. Pensamos numa teoria da Causalidade como justificativa da realidade existencial, no entanto, a própria compreensão da condição na qual a elaboração teórica sempre foi muito complexa, pois a Natureza Humana é multifatorial, entrelaçada em distintos níveis, mas, a despeito desta complexidade, é donde naturalmente tendemos a consagrar a necessidade de haver um Princípio.

“A Ciência conseguiu, numa imbricada relação com aquilo que se chamou de Modernidade (e que se confunde com ela própria) dar respostas e solucionar uma série de problemas a ela apresentados, fazendo com que tais explicações/soluções "funcionassem" no cotidiano da vida social. A Ciência, baseada na lógica clássica, aristotélica, além do seu enfoque causal, aderiu centralmente a uma epistemologia específica, para a qual existe um mundo objetivo (e objetivado) fora (e independente) do ente que o observa, e que se mostra de forma única (e verdadeira) a todos observadores1. Isso lhe permitiu estabelecer "certezas" e "verdades" quase-únicas (ou consensuais) acerca do mundo.”[1]

A necessidade do Princípio, no qual justificamos a realidade existente, e a presença de uma coisa, sustenta-se em diferentes níveis da condição Humana, portanto, a primeira causa dessa necessidade, por inferência, é a condição Humana; da qual, segundo a lógica da causalidade, desencadearia tudo o mais, sendo esta a forma natural de gerar narrativas, que seria o modo abrangente, que abarcaria a interação total (o contexto). O contexto narrado nada mais é do que a manifestação necessária do conjunto causal ou entrelaçamento de todas as coisas que existem, e isso é percebido por natureza, ou seja, a despeito de sabermos como essa narrativa surge, por ser inerente à nossa forma de perceber, e, portanto: uma necessidade primordial.

A ideia de que nada simplesmente “vem a ser” sem um processo interativo é coerente com a visão científica, as coisas existentes surgem vinculadas a sistemas complexos. Tudo o que observamos, portanto, é resultado de interações complexas entre componentes. A Física quântica introduziu nuances interessantes quanto à validade de nossa percepção, suas descobertas desafiam nossa intuição clássica sobre causalidade, surge a ideia de probabilidade existencial e não localidade na mecânica quântica, que sugere que eventos podem ocorrer sem uma causa determinística clara. No entanto, isso não é o mesmo que afirmar que algo surge isoladamente do nada e a nada se vincula ou existe sem interagir, mesmo na escala quântica, mostrando que ainda há relações e interdependências entre partículas, mesmo que sejam probabilísticas.

Ao observarmos as relações entre as pessoas, supondo a hipótese acima, observaríamos que na sucessão de causa relativas, desde o surgimento de X e Y, geradores de Z e W, que, por sua vez, seguem gerando potencialmente toda a série de descendentes, herdeiros desse contexto, estamos observando concomitantemente uma etapa necessária, uma singularidade do desenvolvimento Humano. Que, por necessidade inicial, do movimento, encerra o substrato natural, a Natureza Humana em devir. Assim, no contexto de X, Y, Z e W, no nível de sua pulsão universal Humana, está a causa parcial, que ressoa, e é formadora da história singular deste grupo, mas, irredutivelmente conectada, inerentemente condicionada ao que é necessário à Humanidade, simplesmente, por ter sido originado num determinado momento dela, e por isso, sem poder ser ou agir independentemente do que já é um sentido total presente no processo e condição Humana. Os Antigos sábios chamam a este sentido universal de Destino Humano.

A complexidade dessa investigação, quanto a origem da condição Humana, naturalmente precisou ser reduzida, subdividida, e por fim desencadeou diferentes traduções na tentativa de representar nossas experiências no mundo tal qual o conhecemos. Assim, a despeito de quais fossem as linguagens e abordagens, o fato é que ao longo do tempo foram compondo um contexto e sentidos intrínsecos agregados por funções, categorias, compondo argumentos válidos em algum nível numa vasta coleção de informações, mas que respectivamente, ainda correspondem a relações e interações sempre conectadas a causas dos efeitos percebidos. Estes fenômenos relacionais formam um conjunto de possibilidades Humanas, observados segundo a lógica da causalidade em pelo menos quatro modos: material, emocional, mental e transcendente, que discutiremos a seguir.

Antes disso, consideramos que adoção da lógica da causalidade em sua primeira formulação surge da percepção direta, que simplesmente coopera na assunção de valores positivos, vitais à sobrevivência no nível material: instintiva.

CIÊNCIA

“...a Ciência conduziu à crença de que o conhecimento científico (como teoria e modelos) tinha correspondência com a realidade observada; de que o todo observado constitui-se na totalidade das observações possíveis; e de que a totalidade da "realidade externa" só opera no nível da observação humana, tornando-se o humano a medida de toda a realidade do mundo que, cartesianamente, é externa e ele.”[2]

Essa redução da realidade Humana ao que é computável, concreto, um dado objetivo do mundo por si só, enfim, desencadeia uma contrapartida inevitável, isto, quando surge o desafio de compreender grandezas absolutas: como dar conta do infinito e do eterno real na psique, que é outro espaço-tempo real? Surgem experiências e narrativas paradoxais, mas, cujas grandezas, efetivamente se mostram necessárias ao desenvolvimento Humano, e por isso nos instigam a imaginar para além do raciocínio linear, e especular, afinal, o que é o real neste modelo do espaço-tempo, quais são suas características, natureza, fins e causa? [3]

A inevitabilidade da questão acima (saber: a origem das coisas) demonstra, por sua vez, que afinal há uma Natureza para a qual toda a força de vontade e poder ser se dirige, enquanto a mente segue adentrando relações entre o interno refletido e o espaço-tempo externo. O processo de formação natural do Ser Humano perdura buscando em si, e no universo, suas leis, simultaneamente ampliando as correlações possíveis entre suas partes. O desenvolvimento Humano, portanto, ocorre concomitantemente ao do universo, porque somos, afinal, as manifestações circunstanciais co-criadoras da narrativa deste contexto, ora limitado, ora ilimitado. Existimos, por isso, interagindo invariavelmente na dualidade de escolhas existenciais, mas permanecemos irredutivelmente circunscritos a um modo singular do complexo espaço-tempo Humano.

Ao nos dirigirmos novamente para o que poderia ser a primeira causa de nosso contexto Humano, limitando a investigação às experiências e valores já conhecidos, distinguimos pelo menos quatro causas compondo uma totalidade experiencial: material, emocional, mental e transcendente.

À causa material se impõe o efeito do organismo, um corpo em desenvolvimento contínuo desde seu surgimento, entendido na maior parte na dependência da abordagem e critérios afins com as noções referidas a esta dimensão Humana. A Arqueologia, Antropologia e diversos ramos da Biologia e Medicina tratam destes aspectos de forma geral. Deles surgem respectivas teorias, metodologia e confirmações sucessivas quanto ao real e verdadeiro, ampliando a compreensão da causa material extraordinariamente. O colossal conjunto de conhecimentos neste nível existencial, portanto, deriva da condição material.[4]

Ao avaliarmos a causa emocional se ergue um volumoso complexo de fatores, interações e relações que dependem da causa material, e se mesclam a ela, do que definimos ser o organismo Humano, de seus receptores inatos, e dos diferentes estímulos que registram, a causa de reações instintivas e subjetivas que chamamos por emoções. As relações que derivam das emoções podem referir as duas ordens: objetiva, a saber, as que surgem dependentes da integridade física, das trocas bioquímicas, reguladoras da capacidade dos sentidos físicos para seu pleno funcionamento; e, as que consideraremos por subjetivas: as que se elevam a sentimentos, resultantes já de uma elaboração, por isso, mescladas com a ação do pensamento, porque se manifestam urdidas ao fundamento da causa mental.  Outras especialidades surgem para dar conta deste tipo de relação presente nas experiências Humanas. A Psiquiatria e Neurociências em conjunto com diversos ramos da Psicologia se ocupam deste campo.

Quando adentramos a investigação do que definimos por causa mental o desafio se agiganta, e colapsamos no mistério, porque é preciso enfrentar uma grandeza indeterminada, criada com a noção de inconsciente. Esta dimensão Humana, já consagrada como realidade subjacente ao que se define por consciência, é de fato enigmática, sobretudo às abordagens que pretendem manter critérios assentes na percepção do mundo exterior. O efeito colateral é que o enigma se projeta sobre a consciência, reduzida ao que seria meramente instrumental, ao lógico, regido pela causalidade.

Muito mais evanescente é a investigação que concerne à causa transcendente, imiscuída à religião, e à região que, na causa mental, seria o inconsciente. Sendo simbólica, alegórica e alusiva, é esta a forma de justificar experiências no campo da intuição, premonição, os sonhos e a imaginação de forma geral:  "uma intuição a qual não pode ser, estritamente falando, autoconsciente e a qual pode compreender a si própria apenas através de modos de experiência" (Marcel, 2007, p.118).[5]

As especulações quanto à causa transcendente reduzem os argumentos à um mistério, e ou a necessidade de segurança emocional (talvez), expressa na criação da vasta cosmogonia de todos os povos, mantida em sua narrativa original ou não, mas, sucedida por reestruturações, sempre correspondentes a demandas circunstanciais das diferentes culturas.

 O enigma do que afinal seria a primeira causa das coisas requer igualmente uma contextualização primordial: qual é a Condição Humana?

Deste ponto em diante, é na totalidade, e não nas subdivisões, que podemos imaginar, por hora, que um nexo subjacente persista em todas as formas possíveis ao Humano, supondo ser a origem donde Ser Humano no mundo é um modo de exprimir-se e formar uma identidade, intrínseca à origem e causa disto, a despeito de estar ou não ciente deste  processo e qual seja sua natureza e fim em curso.

Para Merleau-Ponty (1994), por sua vez, não apreendemos os objetos, experiências ou o que seja como um conjunto de características fornecidas pelo próprio objeto, mas investimos com nossa intencionalidade aquilo que nos é solicitado ou sugerido pela experiência. Assim, o "eu posso" apresentado pelo filósofo, em substituição ao "eu penso" de Descartes, é também a habilidade que o corpo tem de completar gestalts, de colocar-se em situação, conforme sugere Dreyfus (1996). O constante diálogo corporal com o mundo não necessariamente corresponde a planos previamente elaborados, ou ainda, o corpo vivido possui um saber que não precisa de representação para se manifestar.”[6]  

Isto nos impõe o desafio da investigação do inconsciente ser realizável ou não.

As considerações sobre os conhecimentos neste universo do inconsciente Humano, grosso modo, costumam afirmar valores e métodos que surgem nas experiências de Freud e Jung, o que de imediato inclui a experiência de ambos com culturas ancestrais, mitologias, e uma multiplicidade de vivências subjetivas que fazem parte da vida intensa destes pesquisadores. Ora, torna-se ingênua a adoção de uma continuidade a partir de Freud e Jung, por eles mesmos serem continuidades, reescrevendo noutra linguagem e prática, o que já era um colossal monumento de conhecimentos compartilhados por sábios, sacerdotes, xamãs e magos, figuras estas consolidadas há muitos milênios em todas as culturas ancestrais. Enfim, se tomarmos as próprias conjecturas Junguiana, somos levados a partir da ação de um imaginário – inconsciente – povoado por estes arquétipos desde o alvorecer da mente Humana. Este imaginário se desdobra na profusão de noções, métodos, critérios, enfim, tudo o que impulsiona as atividades laboratoriais, científicas, artísticas e filosóficas. Figuras emblemáticas, promovendo a incursão pelo enigma Humano, presentes na mediação, formulação de trocas simbólicas e materiais, justamente, regulando a interação de causas que hoje identificamos e tratamos de forma isolada, mas que, postas na totalidade Humana, nunca o foram.[7]      

 Este processo que prioriza as subdivisões, isola as partes de uma totalidade, para aprofundar investigações é uma operação necessária e útil em áreas específicas das ciências, porém, não o é se aplicada na investigação da condição Humana. A compartimentação segue gerando uma projeção da imagem individualizada falsa, envolvida numa ilusão coletiva, que inerentemente movimenta o inconsciente da imensa maioria das pessoas a uma contrapartida.

É a partir dessa contrapartida do inconsciente coletivo que podemos observar os efeitos colaterais.  A ausência de recursos para lidar com os arquétipos que continuam estruturando pulsões enraizadas está na base da ausência de nexo no mundo.

Esta presença intuitiva, individual, que Jung refere por Eu: “Mas o que é o eu? ... é um dado complexo formado primeiramente por uma percepção geral de nosso corpo e existência e, a seguir, pelos registros de nossa memória...o eu é uma espécie de complexo, o mais próximo e valorizado que conhecemos. É sempre o centro de nossas atenções e de nossos desejos, sendo o cerne indispensável da consciência.” (1935) [8]

O Eu surge como uma noção necessária, autorreferente, dada pela inquestionável presença inerente do corpo sensível e consciente de si mesmo como centro das sensações, porém, sua magnitude está para muito além dessa certeza, sua natureza assim, embora não se questione se há uma certeza sobre o que seja o Eu, esta certeza desaparece numa contingência que a própria abrangência da consciência experimenta existindo em níveis estranhos às sensações corpóreas. E mais do que isso: não vivemos eternamente... Será? Como responder a isso, se sequer compreendemos com clareza o que seja afinal o Eu, a dimensão da consciência... Enfim, é preciso investigar mais, ampliar critérios para além de subdivisões, para evitar tomar por fundamento o que certo e lógico apenas num nível de nossa existência, de sorte que, por mais provocativa e especulativa que seja a questão, é necessário enfrentar esse desafio, porque tendemos a agir como se houvesse chance de existir independentemente da totalidade da Humanidade.  

Deste quadro de incertezas, seja no nível que discutem os Filósofos, sobre os efeitos da cultura de massa, seja no inverso disto, na Psicologia e Psiquiatria, quanto a hiper valoração da individualidade típica à sociedade narcísica, o que inevitavelmente nos confronta são as reações distorcidas dos mesmos arquétipos, desestruturados, estimulando fantasmagorias em todas as formas de patológicas prevista por Jung, porque, o que desconsideramos é justamente o que nos constitui, que é uma condição natural, na qual, o ser e estar humanamente existindo emerge de um modo típico de agir absolutamente entrelaçado e, simultaneamente, subdividido numa imensa rede de relações, efetivas, reais, na multiplicidade dos efeitos, formando o contexto deste tempo.

O sentido parcial, que vibra nas partes isoladas, ressurge na individualidade, ressoando e manifestando um modo e trecho que varia do sentido da totalidade enquanto participa deste contexto. Assim, todos os Humanos, de algum modo e em diferentes níveis, observamos naturalmente as ressonâncias ou reminiscências ou vestígios da Humanidade recriando seu contexto original numa grandeza menor, na variação de intensidades espelhada na singularidade de cada pessoa.

Podemos inferir se tratar da reciprocidade entre macro e microcosmo. Observamos uma notável reciprocidade entre o macrocosmo e o microcosmo, uma conexão que remonta à Antiguidade. Ao contemplar diversas formas de organização e desenvolvimento no planeta, percebemos padrões semelhantes emergindo em cristais, vegetais, animais e até mesmo em estruturas moleculares e galáxias. Essa constância sugere a existência de uma causa subjacente que transcende os níveis de organização, interligando órgãos, raízes e moléculas.  Em síntese, a constância observada na reciprocidade entre macrocosmo e microcosmo sugere a existência de uma força ativa criativa total. Essa força, embora grandiosa demais para ser plenamente compreendida por nossos critérios conscientes, transcende os níveis de organização, interligando órgãos, raízes, moléculas e galáxias. Assim, ao contemplarmos as estruturas naturais que nos cercam, podemos vislumbrar uma causa subjacente que perdura e se reproduz em diferentes contextos.



[1] A contribuição da Sociologia à compreensão de uma epistemologia complexa da Ciência contemporânea - Peixoto Rodrigues, Léo; Monteiro Neves, Fabrício e dos Anjos, José Carlos, em Dossiê • Sociologias 18 (41) • Jan-Apr 2016 • https://doi.org/10.1590/15174522-018004102 

[2] Idem

[3] Poder-se-ia objetar e citar que há sociedades que não manifestam tais questionamentos, sobretudo na Antiguidade, no entanto, todas possuem suas cosmogonias, que funcionam justamente na integração com imagens do que seria o momento inaugural do mundo (espaço-tempo).

[4]A causa do conhecimento sensível é a coisa externa, assim a sensação e a percepção são efeitos passivos de uma atividade dos corpos exteriores sobre o corpo da pessoa. O conhecimento é obtido pela soma e associação das sensações na percepção e tal soma e associação depende da frequência, da repetição e da sucessão dos estímulos externos e de nossos hábitos (Luijpen, 1973).” Andréa O. Oliveira; Carlos Alberto Mourão-Júnior, em: Estudo teórico sobre percepção na filosofia e nas neurociências. Neuropsicologia Latinoamericana vol.5 no.2 Calle  2013

 

[5] MARCEL, G. Being and having London: Read Books, 2007.

[6] Zimmermann, Ana Cristina; Torriani-Pasin, Camila em Filosofia e neurociência: entre certezas e dúvidas, Ensaio • Rev. bras. educ. fís. esporte 25 (4) • Dez 2011 • https://doi.org/10.1590/S1807-55092011000400016 

 

[7]A complexidade da pesquisa mostra-se a cada movimento da Ciência em busca do desconhecido e do dificilmente mensurável sob diversas óticas. Na Educação Física, por exemplo, quando tentamos pensar o movimento humano, esse corpo vivo em relação com o mundo, por meio de conceitos restritos a uma única área, constata-se a complexidade deste fenômeno por meio do aparecimento de lacunas, espaços em que o imponderável se apresenta. A elaboração de premissas explicativas para o movimento torna-se constantemente expandida para os mais diversos níveis de análise: celular, neural, mecânico, comportamental, psicológico, social, histórico, e ainda assim, sempre novas questões apresentam-se. Tal qual um jogo, movimento é também provocação, privilégio de um fenômeno que é também convite ao que está por vir.” – Zimmermann, Ana Cristina; Torriani-Pasin, Camila em Filosofia e neurociência: entre certezas e dúvidas, Ensaio • Rev. bras. educ. fís. esporte 25 (4) • Dez 2011 • https://doi.org/10.1590/S1807-55092011000400016 

[8] Fundamentos da Psicologia Analítica – em A VIDA SIMBÓLICA – Jung, C.G. – Ed. Vozes, 1997, SP

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